Porque falamos em sistema alimentar e não cadeia alimentar...

Quem não se lembra de aprender na escola que nós, seres humanos, somos o topo da cadeia alimentar?

Outro dia entrei numa breve conversa sobre a diferença entre cadeia alimentar e sistema alimentar. E, apesar de tudo estar relacionado e ao falarmos de sistema alimentar estarmos falamos diretamente de todos os agentes da cadeia alimentar, a diferença entre um e outro é enorme. Nãoo vamos confundir A com B.

Enquanto o primeiro simboliza exatamente o que aprendemos nas aulas de biologia, o segundo infere tudo aquilo que se refere à produção de alimentos para consumo humano. Dito isso, a cadeia alimentar representa as relações alimentícias desenvolvidas por organismos vivos na busca por continuar vivendo. Ou seja, na cadeia alimentar, a relação matéria_energia representa uma forma de sobrevivência. Em termos mais didáticos, "a cadeia alimentar é um dos ciclos que ocorre no meio ambiente, e essa relação ajuda a equilibrar o ecossistema. Portanto, todas as espécies são extremamente importantes para cada uma das etapas existentes. Supondo que um consumidor secundário seja extinto, por exemplo, todas as relações dessa cadeia serão afetadas". Aqui, animais de todas espécies: seres humanos, bactérias e micro-organismos exercem papéis de similar relevância e importância.

O sistema alimentar por sua vez olha para todos os eixos da produção alimentar. Desde a escolha da semente, passando pelo plantio, colheita, mão de obra, manuseio, embalagem, transporte, ponto de venda, comunicação com os consumidores, consumo de acordo com tendências, tecnologia, até seu impacto em comunidades inteiras, desenvolvimento social e econômico, questões alimentares culturais e políticas, entre outros.

No sistema alimentar todas as partes são analisadas de forma indissociável e os estudiosos dessa área vêm sendo cada vez mais requisitados na busca pelo entendimento de como alimentaremos 10 bilhões de pessoas num futuro próximo. Biodiversidade, sabedoria ancestral, pequenos produtores, monocultura, permacultura, foodtechs — entre outros — são temas em alta no debate de como construíremos um futuro saudável para um Planeta em constante mudança (econômica, populacional, climática, geográfica), e pedem muita atenção.

A forma como os seres humanos se desenvolveram em torno da agricultura e dos hábitos de consumo tem afetado diretamente a biodiversidade planetária. As técnicas empregadas na pesca comercial causam tremendo desequilíbrio nos ecossistemas aquáticos. A fixação por um "alimento milagroso" põe em risco sementes tão antigas quanto o descobrimento do Brasil. As foodtechs levam à mesa alimentos produzidos de forma jamais imaginada. Ou seja, se não revisitarmos de forma consistente e embasada o atual sistema alimentar desenvolvido para o conforto humano, em breve também teremos quebrado a cadeia alimentar. E os primeiros a serem afetados seremos nós, que nos distanciamos tanto da natureza a ponto de não entendermos mais como produzir nosso sustento de forma orgânica e biológica (interprete essa frase como quiser ;-)).

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