Explicamos por qual motivo nos consideramos um Food Hub antes de sermos um co.working

Afinal, o que é um Food Hub?

Ao procurar a definição em meios online, é fácil encontrar Food Hub como sendo “um centro de distribuição que ajuda no crescimento de pequenos produtores ao oferecer um mix de ajuda na produção, distribuição, marketing e serviços”.

No entanto, no Bioma não estamos trabalhando com fazendas especificamente.

Trabalhamos com produtores de um futuro melhor a partir da alimentação.

Eles são os mais diversos produtores da área da alimentação: são produtores de conteúdo, de embalagens, de inovação, de conhecimento, de ciência, de tecnologia… São produtores de conhecimento por uma alimentação melhor e um mundo mais são.

Temos o Bioma como um laboratório de ideias e ideais. Buscamos a complementariedade. Acreditamos no trabalho em rede. Hoje, mais do que nunca, o pequeno produtor está por toda parte. Veja as foodtechs: elas são startups que antes de receberem a atenção de grandes investidores são pequenas produtoras, as quais necessitam ajuda para se estruturarem, entenderem seus processos e, então, chegarem às massas. São empresas frágeis dentro de um ecossistema de múltiplas categorias que se interligam com os mais variados biomas.

Por isso o Bioma extrapola o conceito de co.working.

Pois o nosso propósito é, através das conexões, ajudar na regeneração de um sistema ainda antiquado, mas que já passa por revoluções tecnológicas exponenciais. Já temos a carne feita a partir da célula animal mas ainda não conseguimos quebrar paradigmas a respeito da proteína e do consumo da carne animal. Já temos as fazendas urbanas de clima controlado mas ainda não conseguimos explicar porque nem todo alface é tão saudável quanto parece. Pedimos para consumirem peixes com maior responsabilidade mas grande parte da população brasileira tem acesso apenas à “pescada-branca”. E aqueles que frequentam rodízios japoneses?! Nem imaginam que o salmão “fresco” do dia veio de fazendas de produção carregadas em antibióticos, e alimentadas por uma quantidade de peixes que serviriam para alimentar comunidades inteiras.


Porquê BIOMA food hub?

O nome é de fato uma alusão à importância da preservação ecossistêmica e, consequentemente, biomas inteiros — a partir da alimentação, é claro.

Atualmente muitas frentes são discutidas e trabalhadas no âmbito da preservação ambiental. Comida é uma delas.

Somos um co.working de nicho? Sim. Vemos relevância no nosso trabalho? Com certeza!

No livro The Story Of More, ao debater sobre como chegamos às Mudanças Climáticas e como será daqui para frente, a autora Hope Jahren dedica um capítulo inteiro (out of 4) à comida: a forma como plantamos, a maneira como consumimos carne, as técnicas de pesca, as sociedades viciadas em açúcares e ultrapocessados — e a saída para todas essas questões.

Jahren ilustra como apesar de as paisagens rurais terem se mantido visivelmente inalteradas, em pouco mais de 40 anos, os modos e processos de produção rural foram automatizados, a eficiência de produção, abate, pesca e distribuição ganhou — nas mãos de poucos — uma escala impensável e, ainda: hoje vivemos ciclos de uma produção alimentar pensada em maximizar a eficiência produtiva da terra; de um único animal; de um único navio pesqueiro. Tudo girando em torno dos desejos e anseios de sociedades que se distanciam, cada vez mais, de suas raízes e tradições alimentares.

Há uma dicotomia entre o momento tecnológico que vivemos e a consciência de grande parte da população. Mudanças aconteceram de forma muito abrupta e enquanto a inteligência artificial já ajuda a produzir novos alimentos, a nanotecnologia é implementada para produzir o próximo sal marinho e impressoras 3D já testam imprimir alimentos em laboratórios, o ser humano ainda patina para entender quais são os carboidratos, as proteínas e os sais minerais que devem compor sua alimentação.

Por essa razão falamos de elos: ao mesmo tempo que buscamos impulsionar toda essa inovação alimentar queremos fazer sentido de tudo o que vem acontecendo — a ponto de não mais serem considerados extremistas aqueles que optam por fazer parte de uma Nova Revolução Alimentar.

Compartilhar:

Posts Relacionados.

Porque falamos em sistema alimentar e não cadeia alimentar...

...uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa_

Falar de peixe também se faz necessário

Beyond the gado_

Bioma & Food Ventures Hub

Como falar de investimento em alimentos e bebidas no Brasil_