Embalagens e Sustentabilidade II

Embalagens e Sustentabilidade parte II 

Será o plástico o maior dos vilões? — por Bioma Food Hub

Nas premissas da economia circular, não.

Photo by Karolina Grabowska from Pexels

Seguindo essa linha de raciocínio, e dando continuidade às reflexões levantadas pelos nossos amigos da Food Ventures sobre embalagens e sustentabilidade, gostaria de começar parafraseando a fala da food designer Érica Araium: “eu sonho com uma paisagem saudável, sustentável e rica em biodiversidade … eu sonho também com o aproveitamento integral de tudo, com economia criativa e circular, e não só com a reciclagem e o reuso de materiais”.

Essa fala me impactou em um momento onde buscava inspiração para falar a respeito de um assunto tão complexo e tão urgente — e ela vai de perfeito encontro com o gancho deixado por Letícia ao pontuar a necessidade de olharmos para a embalagem desde a concepção do produto e não apenas na hora do descarte.

Nos Estados Unidos, estudos apontam a indústria de alimentos e bebidas (principalmente grandes corporações) como responsável por quase metade do lixo proveniente do descarte de embalagens plásticas. A solução pode parecer tão simples quanto se afastar do plástico. Contudo, na busca por alternativas, fatores como emissões de carbono e demais impactos ambientais devem ser indissociáveis do processo criativo — o que garantirá que não haja a transição de um problema (o plástico) para demais problemas que sejam tão graves quanto (PFA): seja para o meio ambiente, seja para a saúde de indivíduos, seja para comunidades inteiras.

Você já ouviu falar nos forever chemicals ou, em português livre, “para sempre químicos”?! Esses são os tão comentados e polêmicos PFAS: uma combinação de mais de 4.000 ingredientes químicos presentes em diversos itens que usamos no dia-a-dia. O PFA, presente em nossas vidas desde os anos 40, possui propriedades antiaderentes e, em recipientes e embalagens de comida, ele ajuda não só a segurar o calor do alimento como também permite que não vaze água ou gordura, melhorando assim a vida útil do papel ou da fibra utilizados, e garantindo que o consumidor não “tome um banho” de comida antes mesmo dela ser consumida.

Agências regulatórias detectaram que mais de seis milhões de americanos tomam água com níveis altíssimos de PFAs. Isso porque esses químicos não são facilmente filtrados e ainda representam graves riscos à saúde humana e não-humana. Entre eles, diferentes distúrbios hormonais e doenças como câncer e desordens nervosas.

Enquanto embalagens compostas por papel e fibras vegetais pareciam ser a salvação do food-service em busca de alternativas ambientalmente mais sustentáveis, dada a alta carga química e a impossibilidade da natureza de absorver esses componentes complementares que garantem a usabilidade e durabilidade do produto, o programa de rotulagem de recicláveis americano definiu que qualquer tipo de embalagem de comida que contenha PFA será categorizado como “ainda não reciclável” — fato que pode nos levar de volta à questão dos plásticos e de como a grande indústria pode se guiar a partir daqui.

A nova economia circular do plástico

Em 2018, na Conferência Our Ocean, que aconteceu em Bali, foi lançado pela Fundação Ellen MacArthur em colaboração com a agência das Nações Unidas pelo Meio Ambiente, o The New Plastic Economy Global Commitment, onde empresas privadas e organizações governamentais se comprometem a pensar na economia circular do plástico. Ou seja, a iniciativa — também chancelada pelo WWF — pede que as mais de 450 instituições signatárias (entre elas as brasileiras Positiv.a e Natura) se comprometam a mudar a forma como produzem, usam e reusam o plástico. Como? Eliminando o plástico em excesso, inovando na concepção para que todo o material possa ser reutilizado, reciclado ou compostado, e praticando princípios da economia circular, onde tudo deverá ser feito para que o produto continue girando na economia — e fora do meio ambiente. Com transparência e indicadores de intenção positivos, a iniciativa vem agregando instituições ao redor do mundo por uma causa global.

É por essa razão que se torna cada vez mais comum encontrar, dentro das grandes corporações um diretor de design que converse com todas as áreas em todas as etapas do processo. Afinal, como menciona Mauro Porcini da PepsiCo: “se a missão da companhia é criar um mundo mais sustentável do ponto de vista ecológico, social, emocional e intelectual, o design se faz necessário. A jornada para a sustentabilidade é um empreendimento profundamente humano e requer crescimento pessoal”.

Olhar para embalagens se tornou complexo não só no universo de alimentos e bebidas. Enquanto alguns estabelecimentos focam em novos materiais e demonizam o versátil plástico, o consumidor atento às questões ambientais fica em um meio de campo praticamente cego. Se olharmos para a eficácia da economia circular do plástico podemos respirar um pouco mais aliviados. O material pode, de fato, desempenhar mil e uma utilidades: de camisetas a tênis de corrida, o plástico, se destinado corretamente, pode ser reintroduzido na economia em diferentes formas.

O que podemos fazer então, enquanto indivíduos?!

Nos educar, educar àqueles que convivem conosco, buscar informações, e embasar nossas escolhas de forma mais profunda e consciente. É muito importante que o plástico não acabe nos oceanos ou em aterros a céu aberto, mas se há uma organização entre sociedade civil e iniciativas privadas e governamentais, com um bocado de pesquisa, design e inovação, sem dúvida nenhuma podemos prever um futuro circular para os produtos recicláveis.

Entenda mais sobre a economia circular do plástico aqui nesse artigo super detalhado da e-cycle.

 

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