A cozinha "Ki": desenhando relações wi-fi com a comida

A cozinha "Ki": desenhando relações wi-fi com a comida

27/04/2021

Por Marisa Furtado. Consultora, jornalista e gastrônoma especializada em gastronomia, história e cultura ela é fundadora do Madame Aubergine Food Lab - e faz marmitas nas horas vagas <3


Comandada via wi-fi, sem cabos e sem gás, a cozinha está sendo ressignificada na arquitetura e em nossas vidas. Mais do que buscar praticidade, essa nova inteligência permitirá uma forma mais sustentável, simples e segura de cozinhar em menos tempo.

Essa é a missão do projeto Ki Cordelles Kitchen, que foi tema de webinar promovido semana passada pelo Wirelles Power Consortium, direto de Chicago, com a participação de dois pioneiros em design de cozinhas avançadas com inteligência artificial, Johnny Grey e Hans Kablau.

A nova tecnologia define transmissores ultrapotentes embutidos, que vão fornecer até 10 vezes mais potência, a partir do novo padrão “Qi”. Isso faz com que haja muita economia de tempo e energia na cozinha.

A bancada é o hub onde tudo acontece. É fogão, mesa, é tábua, é prateleira, tudo ao mesmo tempo. Quanto maior a superfície, mais contato, mais possibilidades. Não precisa de cooktop, não precisa ser de metal. Pode ser de fórmica, de madeira, pode ser estreita, pode ser até uma mesa comunitária ou balcão de restaurante para deixar bebidas e pratos bem quentinhos. Em matéria de limpeza, basta tirar as panelas e já fica tudo limpo e organizado para a próxima refeição. É o sonho de consumo de quem cozinha.

A superfície se adapta à luz diurna e noturna e contribui para uma atmosfera mais agradável sem comprometer suas funcionalidades. E tudo pode acontecer simultaneamente, no mesmo lugar. Por exemplo, você aquecer o leite quente enquanto os pequenos desenham ao lado ou até em cima das outras bocas desocupadas “do fogão”, sem perigo nenhum.

A mágica da cocção autônoma acontece quando eletrodomésticos inteligentes e sem fio são colocados na bancada e alimentados por meio de aproximação, ou por NFC- Near Field Communication, tecnologia já bem popular na captação de dados entre os cartões e as maquininhas, fechaduras, bilhete único, carregadores etc..

Imagine programar panelas de arroz, torradeiras, liquidificadores, cafeteiras, fritadeiras movida à ar etc. diretamente do celular e ainda ter as receitas direto na nuvem. Se você deixar as panelinhas no jeito em cima da bancada, pode começar a cozinhar antes de chegar em casa.  A comida não queima, ninguém se queima, os líquidos não transbordam e não tem gás para apagar sozinho. A pessoa não precisa saber cozinhar porque o processo todo é bem intuitivo e digital.

Kablau se entusiasmou ao afirmar que “a cozinha sem fio é uma nova fronteira de liberdade no preparo de alimentos entre crianças, pessoas da terceira idade ou com necessidades especiais.” Também servirá de entretenimento, principalmente para os jovens superconectados, que poderão ouvir música ou ver vídeos a partir da própria bancada.

Pode ser que surjam daí outras modalidades de delivery, com panelinhas retornáveis, com menus semiprontos de restaurantes, supermercados ou dark kitchens. No futuro, os designers acreditam que a tal superfície poderá ser vendida até mesmo como um acessório de celular, já habilitados. Comprou o novo celular e a “cozinha” vem junto. Mas tudo isso ainda não tem data para ser escalado.

Pode parecer muito hi-tech mas na visão de Johnny Grey, a maior beleza do projeto Ki Cordless Kitchen está justamente em humanizar, ou “oferecer uma solução multigeracional que devolve para a cozinha a sua verdadeira vocação: a convivência em torno do alimento, que tem sido afugentada pela falta de tempo ou de prática para cozinhar.”

 

Resumindo, o projeto Ki Cordless Kitchen deveria ser chamado de Stressless Kitchen!

 

SOBRE O EVENTO:
Ki Cordless Kichen by Wireless Power Consortium. Webinar, transmitido direto de Chicago, em 20 de abril, que a mediação da jornalista tech Phoebe Francis, da agência GOLIN PR.

 

SOBRE OS CONVIDADOS:
Johnny Grey é kitchen designer, escritor e educador - CEO Johnny Grey Studios
Hans Kablau – Chairman Wireless Power Consortium & Diretor de estandartização – Philips

 

SOBRE O WIRELESS POWER CONSORTIUM

Fundado em 2008 em New Jersey, Estados Unidos, dissemina e incentiva a pesquisa de um mundo em que a inteligência artificial produza mais potência condutora e sem fio. Atualmente congrega mais de 400 empresas que se ocupam da tecnologia wi-fi como fonte de energia aplicada a telefonia, eletrodomésticos, mobilidade e processos produtivos.

 

Referências:

https://www.wirelesspowerconsortium.com/
https://www.johnnygrey.com/
https://www.linkedin.com/company/golin/
https://www.linkedin.com/company/johnny-grey-kitchen-design-studios-and-consultancy/
https://www.linkedin.com/in/hans-kablau-7b15031/

 

BIO MARISA FURTADO

É consultora, jornalista e gastrônoma, especializada em gastronomia, história e cultura. Hiperativa e apaixonada pelo que há de novo, é a influência da cultura digital na cultura gastronômica o seu foco atual no Madame Aubergine Food Lab, plataforma de projetos de conhecimento e conteúdo na cadeia da alimentação. No Brasil, é colunista colaboradora em veículos dos segmentos de gastronomia e marketing. Em Portugal, é correspondente especial do Diário dos Açores na Web Summit Lisboa, a maior convenção tech da Europa. É membro de comitê do Observatório da Gastronomia de São Paulo, na Secretaria Municipal do Trabalho e Empreendedorismo. Em parceria com a editora 4 Capas/Prazeres da Mesa, faz a mentoração e curadoria de startups na competição MesAposta. É palestrante ativa em festivais de inovação como SXSW, Path Festival e Pixel Show, entre outros. Como cozinheira, realiza oficinas voluntárias de capacitação e entretenimento. Anteriormente, esteve 22 anos à frente da área de criação e inovação em sua própria agência, a Fábrica Comunicação Dirigida, onde foi merecedora das mais diversas premiações nacionais e internacionais e jurada brasileira no Cannes Lions International Festival of Creativity, em 2010.

Compartilhar:

Posts Relacionados.

Porque falamos em sistema alimentar e não cadeia alimentar...

...uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Falar de peixe também se faz necessário

Beyond the gado

Explicamos por qual motivo nos consideramos um Food Hub antes de sermos um co.working

Bioma: um Food Hub